LUPICINIO RODRIGUES RARE 78 RPM BRAZIL 1953 TOLA / MORRO ESTA DE LUTO SAMBA MPB
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Música
Lupicínio Rodrigues
Quando Vinícius de Moraes escreveu que “todo poeta só é grande se sofrer” (do poema Eu não Existo sem Você, de 1957), mal sabia ele que, anos antes, em 16 de setembro de 1914, já havia nascido um compositor gaúcho que cantaria melhor que ninguém seus sofrimentos amorosos. Não é à toa que Lupicínio Rodrigues ficou conhecido como “o rei da dor de cotovelo”. Os amores desfeitos e as dores de cotovelo sempre estiveram presentes em seus sambas-canção, conhecidos também como "samba triste" ou "samba de meio do ano" (pois eram lançados e faziam sucesso fora da época do Carnaval). Invariavelmente, as letras ligavam a sua desgraça sentimental à mulher e foram interpretados pelos maiores cantores populares do país, como Herivelto Martins, Orlando Silva, Caetano Veloso, Elis Regina e muitos outros. Autobiográficas, suas músicas acompanhavam as fases de sua vida. Ainda jovem, um episódio amoroso influenciaria seu estilo para o resto da vida: em 1933, depois de entrar para o exército, Lupicínio foi transferido para a cidade gaúcha de Santa Maria. Foi lá que conheceu Iná, sua primeira grande paixão e a musa que inspiraria muitas composições. Entretanto, a vida boêmia do compositor fez com que Iná desistisse do noivado, depois de cinco anos de relacionamento. No livro Foi Assim (Editora L&PM), Lupicínio Rodrigues Filho conta que o pai não tocava instrumentos, apenas fazia sons com uma caixa de fósforos. E na hora de compor tinha um método peculiar: assobiava. Lupicínio costumava dizer que não era músico ou compositor, assumia-se apenas como “um boêmio profissional”. Lupicínio morreu aos 59 anos, com problemas no coração. Com cerca de 150 canções, muitas delas ficaram famosas pelas vozes de cantores prestigiados. Acompanhe algumas: 1. “SE ACASO VOCÊ CHEGASSE”
Foi com esse samba, em 1938, que Lupicínio alcançou seu primeiro grande sucesso, em parceria com Felisberto Martins e gravado na RCA Victor por Ciro Monteiro. Em 1957, foi regravado por Elza Soares e se transformou numa das mais importantes músicas do repertório dela (a música está no disco Se Acaso Você Chegasse, que faz parte do box Negra). A letra do samba refere-se ao episódio em que Lupicínio conta a Heitor Barros que estava tendo um caso com uma ex-namorada do amigo, sugerindo que mantivessem a amizade apesar disso. 2. “NERVOS DE AÇO”
Em 1947, Francisco Alves fez a primeira gravação desse samba-canção, que se tornaria um clássico da música popular brasileira. Mas foi na voz de Paulinho da Viola que a música arrebatou as gerações mais recentes (pode ser encontrada no disco Argumento). Essa é uma das canções inspiradas por Iná, a noiva que desistiu do casamento com Lupicínio por conta da vida boêmia dele. Os versos de “Nervos de Aço” nasceram quando Lupicínio viu a ex-noiva casada com outro homem. 3. “VINGANÇA”
Em 1951, a cantora Linda Batista gravou dois sambas de Lupicínio na RCA Victor: “Dona divergência”, com Felisberto Martins, e “Vingança”. Este último é um dos grandes exemplos de suas canções ao estilo dor de cotovelo e rendeu ao compositor grande projeção. Posteriormente, a música ficou famosa também na voz de Maria Bethânia (no disco Memória da Pele). Na história da letra, Mercedes (também conhecida como Carioca), então namorada de Lupicínio, tenta seduzir um empregado dele, que conta ao patrão o caso. Ele rompe com ela e, logo em seguida, no carnaval, os amigos dele a veem num bar e, sem saberem do rompimento, perguntam por Lupicínio. A moça se põe a chorar copiosamente, o que o inspira a escrever a música logo após saber do episódio. 4. “NUNCA”
Depois da letra de “Vingança”, outro episódio com a Carioca também virou canção. Trata-se de uma resposta negativa às tentativas da moça de reconquistar Lupicínio. Em certo momento, o compositor diz que “nem se Deus mandar” ele faria as pazes com ela. Segundo dizem,a moça havia levado uma foto dele para um pai de santo fazer um trabalho. Na década de 1980, a canção voltou a ganhar notoriedade com a regravação de Zizi Possi. 5. “ESSES MOÇOS (POBRES MOÇOS)”
Outro grande exemplo de uma bela dor de cotovelo, mas desta vez destinada a um amigo. A canção ficou famosa na voz de Francisco Alves, e Lupicínio Rodrigues a escreveu ao saber que seu grande amigo e parceiro Hamilton Chaves iria se casar. Segundo contam, Lupicínio achava o companheiro ainda moço para se casar – ele estava com 22 anos. O conselho, entretanto, não foi ouvido, mas se tornou uma canção popular na época. 6. “FELICIDADE”
Essa é uma das canções mais populares de Lupicínio: “Felicidade foi-se embora e a saudade no meu peito ainda mora”. Em 1947, o Quarteto Quitandinha foi o primeiro a gravá-la. Depois, na década de 1970, virou hit com a regravação de Caetano Veloso.
Segundo o diretor e dramaturgo Artur José Pinto, que estudou a vida de Lupicínio para fazer Lupi, o Musical, há um episódio em que Lupicínio encontrou Caetano num bar em Porto Alegre depois de um show na cidade. Caetano ainda estava com a maquiagem do show e causava estranheza nas pessoas ao redor. Lupicínio então o acolheu e passaram a madrugada toda conversando. Lupicínio Rodrigues 7. “CADEIRA VAZIA”
Imortalizada na voz de Elis Regina, a letra dessa canção fala da história de uma moça que saiu de Porto Alegre para ir atrás de outras oportunidades no Rio de Janeiro. Como as coisas não andaram bem, ela precisou retornar ao Sul. Na volta, o ex-namorado Lupicínio a acolheu. Mas o sofrimento da separação foi tanto que ele não conseguiu mais amá-la como antes. 8. “ZÉ PONTE”
Orlando Silva foi um dos grandes intérpretes de Lupicínio. Em 1947, o compositor deu a Orlando duas canções: “Brasa” e “Zé Ponte”. Na letra de “Zé Ponte”, Zé é um alter ego do compositor, e a cabocla presente na letra é Iná. A canção é a primeira que ele compôs para ela, ainda antes de namorarem e antes da desilusão. 9. “EXEMPLO”
É uma das muitas canções de Lupicínio que ganharam vida na voz de Jamelão, grande parceiro e intérprete das dores do compositor gaúcho. A música foi feita para comemorar os dez anos de casamento de Lupicínio e dedicada à sua mulher Cerenita. A esposa e o filho também aparecem em outra música, “Nossa Senhora das Graças”. 10. “HINO OFICIAL DO GRÊMIO”
“Até a pé nós iremos, para o que der e vier. Mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio, onde o Grêmio estiver”.
Apaixonado por futebol e torcedor fanático do Grêmio, é de Lupicínio a letra e melodia do hino oficial do clube, composto em 1953 em um guardanapo de papel num restaurante, segundo contam. A história é que ele e mais alguns amigos aguardavam o horário do bonde para ir até o estádio assistir ao jogo, mas souberam que o serviço estava em greve. Tiveram, então, que seguir a pé até o estádio, e lá, vendo seu time jogar, o compositor teve a ideia da letra. A canção venceu um concurso em comemoração ao cinquentenário do time e depois se tornou o hino oficial. <img src="http://ti2.auctiva.com/web/aswCredit.gif" border="0"><br><a href="http://www.auctiva.com/?how=scLnk1" target="_blank"><img src="http://ti2.auctiva.com/images/sc1line1.gif" border="0"></a>
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Informação geral Nome completo Lupicínio Rodrigues Também conhecido(a) como Lupe Nascimento 16 de setembro de 1914Porto Alegre, Rio Grande do Sul Data de morte 27 de agosto de 1974 (59 anos)
Porto Alegre, Rio Grande do Sul Nacionalidade brasileiro Ocupação(ões) Compositor Período em atividade década de 1920-1973
Nasceu no bairro porto alegrense da Ilhota, na Travessa Batista, nº 97. Primeiro filho homem do casal Francisco Rodrigues e Dona Abigail, que tiveram ao todo 18 filhos. O pai, um funcionário da Escola de Comércio, atualmente Faculdade de Economia, batizou o filho com o nome de um herói da Grande Guerra: Lupicínio. Apesar de pobre, passou a infância sem grandes privações. O pai queria que ele se tornasse um doutor e, quando o menino fez cinco anos, resolveu levá-lo à escola para aprender a ler. Depois de pouco tempo freqüentando a escolinha, a professora aconselhou Seu Francisco a trazê-lo só quando tivesse sete anos: "...Até agora não quis saber de prestar atenção à aula. Só quer saber de brigar na classe e cantarolar...". O pai acabou compreendendo que o menino ainda era muito pequeno para ser forçado a estudar. O pequeno Lupi, como era chamado, passou a "freqüentar" o campinho de várzea para jogar bola com os outros "guris". Foi daí que veio a paixão pelo futebol que o fez tornar-se um fervoroso torcedor do Grêmio, clube portoalegrense para o qual, anos depois, acabou compondo o hino oficial. Aos sete anos, finalmente, foi matriculado no curso primário do Colégio São Sebastião, de Irmãos Maristas, que ficava na Rua do Arvoredo, hoje Fernando Machado. De sua primeira escola, guardou a lembrança carinhosa dos professores de música, Irmão Stanislau e Irmão Alfredo. Como sua família era pobre, mesmo estudando, necessitou aprender um ofício. Quando estava com 12 anos, o pai conseguiu colocá-lo como aprendiz nas oficinas da Companhia Carris Portoalegrense, que administrava os bondes e, posteriormente, na firma Micheletto. Já nessa época, compunha música para os blocos carnavalescos de seu bairro. Quando adolescente, passou a freqüentar o bar de Seu Belarmino, onde ficava com os amigos bebendo e cantando até altas horas. O pai, preocupado com o "talento" boêmio do filho, resolveu apresentá-lo como "voluntário" ao exército.
Lupicínio Rodrigues (Porto Alegre, 16 de setembro de 1914 — Porto Alegre, 27 de agosto de 1974) foi um cantor e compositor brasileiro.
Lupe, como era chamado desde pequeno, compôs marchinhas de carnavale sambas-canção, músicas que expressam muito sentimento, principalmente a melancolia por um amor perdido. Foi o inventor do termo dor-de-cotovelo, que se refere à prática de quem crava os cotovelos em um balcão ou mesa de bar, pede um uísque duplo, e chora pela perda da pessoa amada. Constantemente abandonado pelas mulheres, Lupicínio buscou em sua própria vida a inspiração para suas canções, onde a traição e o amor andavam sempre juntos.
De 1935 a 1947, trabalhou como bedel da Faculdade de Direito da UFRGS. Nunca saiu de Porto Alegre, a não ser por uns meses em 1939, para conhecer o ambiente musical carioca. Porto Alegre era seu berço querido e todo o seu universo.
Boêmio, foi proprietário de diversos bares, churrascarias e restaurantes com música, que seguidamente ia abrindo e fechando, tudo apenas para ter, antes do lucro, um local para encontro com os amigos.
Torcedor do Grêmio, compôs o hino tricolor, em 1953: Até a pé nós iremos / para que der e vier / Mas o certo é que nós estaremos / com o Grêmio onde o Grêmio estiver. Seu retrato está na Galeria dos Gremistas Imortais, no salão nobre do clube.
Deixou cerca de uma centena e meia de canções editadas; outras centenas que compôs foram perdidas, esquecidas ou estão à espera de quem as resgate. Encontra-se sepultado no Cemitério São Miguel e Almas em Porto Alegre.
Em 1931, passou a ser o soldado 417 do 7º Batalhão de Caçadores de Porto Alegre. No quartel, foi cantor de um conjunto musical de soldados e continuava compondo para os blocos carnavalescos. Chegou a vencer um concurso com uma marchinha chamada "Carnaval", feita para o Cordão Carnavalesco Prediletos. Dois anos depois, era promovido a cabo e transferido para a cidade de Santa Maria. Quando deu baixa no exército, em 1935, Seu Chico conseguiu-lhe um emprego de bedel na Faculdade de Direito. Apesar de ter tido uma grande paixão na juventude, a jovem Iná, não chegou a se casar, pois a moça não aceitava sua vida boêmia. Romperam o noivado com grande mágoa um do outro. O próprio compositor admitiria que esse fracasso amoroso na juventude teria sido fonte de inspiração de muitos sambas seus.
Em 1939, depois de rompido o noivado com Iná, decidiu passar uma temporada no Rio de Janeiro. Passou a freqüentar a boêmia da Lapa carioca, convivendo com artistas e com a malandragem de então. Entre os companheiros de noitadas no legendário Café Nice estavam Kid Pepe, Germano Augusto, Wilson Batista, Ataulfo Alves, entre outros. Foi naquele reduto boêmio que ficou conhecendo Francisco Alves, que se tornou um de seus principais intérpretes.
Em 1947, aposentou-se da Faculdade de Direito de Porto Alegre por motivo de doença. Nessa época, resolveu abrir uma churrascaria, a Jardim da Saudade ou Galpão do Lupi, a primeira de uma série de restaurantes e bares que iria abrir nos anos seguintes.
Casou-se somente em 1949, com Cerenita Quevedo Azevedo, que conheceu ainda criança, e não via há mais de 15 anos. Com ela teve um filho, Lupicínio Rodrigues Filho. Na verdade, já havia sido casado com uma moça chamada Juraci, que no leito de morte lhe pediu que se casasse para legalizar a situação da filha que tiveram, Tereza. Cerenita acabou adotando a menina, que mais tarde daria cinco netos ao casal. Anos depois comprou uma chácara no bairro Cavalhada, onde passou seus últimos anos de vida com a família. Foi fundador e representante da Sbacem no Rio Grande do Sul, por 28 anos. Faleceu em Porto Alegre, a 27 de agosto de 1974, cercado pela admiração geral.
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